Design Biofílico: entenda o que é e como aplicar no dia a dia

 

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Estúdio Guria Natureba, assinado por Larissa Squeff e Roberta Preiss para o Morar Mais Porto Alegre

Biofilia: essa palavra pode ser nova e estranha para muita gente mas, nos últimos meses, vêm ganhando cada vez mais espaço no universo da arquitetura e do design. Começando pelo sentido etimológico da palavra, podemos traduzir ‘biofilia’ como ‘amor às coisas vivas’ (do grego ‘bio’ = ‘vida’ e ‘philia’ = amor a / inclinação a). Entender a origem da palavra ajuda a compreender melhor do que se trata esse conceito, que não é apenas criar paredes verdes, usar madeira nos projetos ou usar a palavra “sustentabilidade”. A ideia vai muito além disso, buscando promover o bem-estar, a saúde e o conforto emocional através de uma reconexão das pessoas com a natureza, proporcionada a partir de projetos que promovam essa relação.

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Estúdio Guria Natureba, assinado por Larisse Squeff e Roberta Preiss para o Morar Mais Porto Alegre

Conexão humana com a natureza

Segundo a arquiteta Jaqueline Lamente, especialista em interiores sustentáveis, “buscar abrigo é uma necessidade humana desde as primeiras civilizações. Antigamente, a natureza supria diretamente esta e outras necessidades básicas, como comida e remédios”, conta. Ao longo da evolução da sociedade, a interação do homem com a natureza foi diminuindo, acelerada pela revolução industrial e tecnológica, que automatizou diversos desses processos e foi nos confinando cada vez mais no interior das edificações.

Uma ótima maneira para entender essa relação natureza x ambientes construídos é fazer o seguinte teste: imagine como seria o cenário perfeito para seu relaxamento, que emana tranquilidade, descanso e conforto. Provavelmente você imaginou um local cercado pela natureza em vez de um shopping center, certo? No entanto, passamos a maior parte do nosso tempo em construções, sem contato com a natureza, seja em casa, no trabalho ou até em momentos de lazer.

“Ao longo do tempo, isso foi delineando nosso estilo de vida moderno, caótico, baseado no individualismo e no acúmulo de coisas – situações que impactam no nosso corpo físico, na forma de estresse, ansiedade, obesidade, entre outras doenças. Nos ambientes de trabalho, se reflete na redução da produtividade, na alta-rotatividade de funcionários, no presenteísmo (a pessoa está de corpo presente na empresa, mas desconectada de seu trabalho), além de outros fatores”, explica Jaqueline.

Biofilia é ciência

Apesar de ser uma pauta bastante recente, essa relação é observada já a algum tempo por estudiosos. O termo biofilia foi usado pela primeira vez pelo psicólogo Erich Fromm em 1964 e, nos anos 80, pelo biólogo Edward O. Wilson, detectando como a urbanização começou a promover uma forte desconexão com a natureza.

Carpetes da linha Human Connections, assinada por David Oakey para a Interface, à venda na NOVACORP - NOVO AMBIENTE (2)
Carpete modular da Interface®, distribuído no Rio de Janeiro pela Novacorp, que reproduz a ideia da grama nascendo no piso de pedra (modelo moss in stone).

Estudos mais recentes, publicados no relatório Human Spaces, promovido pela marca de carpetes americana Interface® – uma das pioneiras em sustentabilidade e defesa do design biofílico – comprovam que “um ambiente desprovido de natureza pode ter um efeito negativo na saúde, produtividade e bem-estar”, e que “estudos mostraram que a adição de elementos biofílicos ao interior pode reduzir o estresse, a pressão arterial e os batimentos cardíacos – enquanto aumenta a produtividade, a criatividade e o bem-estar geral”, segundo o relatório.

Design Biofílico na prática

De acordo com Jaqueline, alguns elementos presentes em projetos que consideram o design biofílico são a iluminação e ventilação natural, a utilização de plantas em espaços internos, ambientes mais silenciosos ou com sons que remetem à natureza (como uma fonte de água, por exemplo), compondo um conjunto que transmite tranquilidade.

“Também é indicado o uso de materiais sustentáveis, mais eficientes. Cores e texturas, que se assemelham ou reproduzem padrões encontrados na natureza, também podem ser usados como estratégia para um projeto de design biofílico, seja em espaços residenciais ou corporativos”, exemplifica a arquiteta. “Pequenas mudanças podem gerar grandes impactos nas próximas gerações. Espero que os projetos de arquitetura sejam cada vez mais centrados nas pessoas, entendendo o ser humano como parte de um todo, que é o Planeta Terra, e não separado dele”, acredita Jaqueline.

Biofilia em empresas: funcionários mais felizes e maior produtividade

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Sede da Amazon, em Seattle (divulgação)

A sede da Amazon em Seattle, batizada como “The Spheres”, é um dos exemplos mais famosos de arquitetura com design biofílico. Inaugurado em 2018, o edifício é formado por três esferas, com estrutura metálica e painéis de vidro translúcido, e abriga mais de mais de 40 mil plantas. O foco do projeto corporativo é proporcionar maior bem-estar para os colaboradores da empresa, com menos baias e mais integrados à natureza – para isso, foi criado de fato um ambiente florestal dentro da estrutura, inclusive com rios e cachoeiras.

The second and third floors of the new Amazon Spheres are seen during a grand opening event in Seattle
Sede da Amazon, em Seattle (divulgação)

Já a Microsoft, por outro lado, levou o escritório para o meio da floresta. No campus de sua sede corporativa, em Washington, a empresa criou um deck suspenso com três “escritórios na árvore” para reuniões e espaços convidativos para o trabalho ao ar livre, com toda infraestrutura tecnológica necessária.  Segundo divulgação da empresa, ser mais criativo e flexível com o espaço de trabalho aumenta a produtividade e criação de produtos inovadores. “As pessoas absorvem o meio ambiente e mudam a percepção de seu trabalho e como elas podem realizá-lo”, disse Bret Boulter, responsável pelas instalações na sede da Microsoft.

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Escritórios na árvore da Microsoft, em Washington (divulgação)

Inspiração do Morar Mais para a sua casa

Para Jaqueline, o período atual que estamos vivendo, com tantas pessoas trabalhando em casa, traz uma série de questionamentos sobre bem-estar e conforto dentro de nossos lares, buscado ambientes organizados, harmônicos, ventilados e iluminados – aspectos bastante abordados em projetos com design biofílico.

Para adotar esses parâmetros em casa, a receita pode ser simples: priorize iluminação e ventilação naturais; opte por revestimentos, móveis e adornos feitos de materiais naturais com origem certificada ou sintéticos que reproduzam essas texturas, como madeira, pedra, palha, grama, entre outros; traga o verde para ambientes internos – o cuidado com plantas nas grandes cidades tem, inclusive, ganhado muitos adeptos nos últimos anos, com o movimento Urban Jungle. No Morar Mais por Menos, podemos nos inspirar em projetos que adotaram esse caminho, proporcionando os benefícios de um ambiente mais conectado à natureza. Confira abaixo!

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Banheiro Um Banho no Éden, assinado pelo arquiteto Artur Caveiro

No Morar Mais São Paulo, o arquiteto Artur Caveiro criou o Banheiro Um Banho no Éden, com bancada de madeira rústica, pias com formato orgânico, parede verde e muitas plantas. Revestimentos que reproduzem seixos de rio e papéis de parede com estampa de árvores, usados da área molhada, reforçam a sensação de estar em meio à natureza.

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Apartamento QuintoAndar, assinado pela design de interiores Marcella Bacellar

Já no Morar Mais Rio, a designer de interiores Marcella Bacellar assina o Apartamento QuintoAndar, inspirado no estilo pied-à-terre (pé no chão, em português), que resgata a simplicidade e o essencial.

A iluminação natural é um dos pontos explorados no projeto, que ainda conta com piso cimentado em tom de barro e uma seleção de móveis e acessórios em elementos naturais como a madeira e a palhinha. Além disso, mais de 60 plantas tropicais, em vasos de barro, foram usados no espaço.

No Morar Mais Goiânia, por sua vez, o Restaurante O Popular, assinado por Bianka Miller, Eneida Oliveira e Gabriel Oliveira, proporciona um clima rústico, com parede de pedra natural, banco e móveis de madeira, além de plantas espalhadas pelo ambiente.

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Restaurante O Popular, assinado por Bianka Miller, Eneida Oliveira e Gabriel Oliveira

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Matéria produzida pela L.Schuback Assessoria em Comunicação para o blog do Morar Mais por Menos, publicada em julho 2020.